Fazer combustível do ar ficou mais barato. Será o início da era dos combustíveis sintéticos?

Publicado em:

Será o início da era dos combustíveis sintéticos

Capturar o CO2 da atmosfera ficou muito mais barato, anuncia a Carbon Engineering, o que são boas notícias para os combustíveis sintéticos.

Até pouco tempo seria impensável afirmar que um automóvel com motor de combustão interna pudesse ser neutro em emissões de CO2, porém o avanço tecnológico põe-nos à disposição essa possibilidade.  Conheça o eFuel, o combustível sintético apresentado pela Bosch.

Para conceber, são necessários dois ingredientes: H2 (Hidrogénio) e CO2 (dióxido de carbono) — com este último ingrediente a ser obtido através da sua reciclagem por processos industriais ou capturado diretamente do próprio ar com recurso a filtros.

As vantagens são óbvias. O combustível torna-se assim neutro em emissões de carbono — o que é produzido na sua combustão seria novamente recapturado para fazer mais combustível —; não é necessária uma nova infraestrutura de distribuição — usa-se a que já existe; e qualquer veículo, novo ou velho, pode usar este combustível, já que as propriedades mantém-se relativamente aos combustíveis atuais.

 

Então, qual é o problema?

Apesar de já haver programas piloto a decorrer, com apoios estatais na Alemanha e Noruega, os custos são bastante elevados, que só seriam atenuados com produção em massa e a redução do preço das energias renováveis.

Foi agora dado um passo importante para a futura disseminação dos combustíveis sintéticos. Uma empresa canadiana, Carbon Engineering, anunciou um avanço tecnológico na captura de CO2, reduzindo bastante o custo de toda a operação. Tecnologias de captura de CO2 já existem, mas de acordo com a Carbon Engineering, o seu processo é mais acessível, reduzindo os custos de 600 dólares por tonelada para 100 a 150 dólares por tonelada de CO2 capturado.

 

Entenda como funciona!

O CO2 presente no ar é aspirado por grandes coletores que se assemelham a torres de refrigeração, ar que entra em contacto com uma solução líquida hidróxida, capaz de reter o dióxido de carbono, convertendo-o numa solução aquosa de carbonato, processo que ocorre num contator de ar. De seguida, passamos para um “reator de pelotas”, que precipita pequenas pelotas (bolas de material) de carbonato de cálcio da solução aquosa de carbonato.

Após seco, o carbonato de cálcio é processado através de um calcinador que o aquece ao ponto de se decompor em CO2e óxido de cálcio residual (este último é novamente hidratado e reutilizado no “reator de pelotas”).

Carbon Engineering, processo de captura de CO2

O CO2 obtido pode então ser bombeado para o subsolo, retendo-o, ou então, usando-o para fabricar combustíveis sintéticos. A abordagem da Carbon Engineering não difere muito dos processos encontrados na indústria da celulose e papel, pelo que este precedente — a nível de equipamentos e processos químicos — significa que existe um verdadeiro potencial de escalar o o sistema e lançá-lo comercialmente.

Será apenas com a instalação de unidades de captura de ar a larga escala, localizadas fora das cidades e em terrenos não cultiváveis, que seria possível o custo de 100 a 150 dólares por tonelada de CO2 capturado, purificado e armazenado a 150 bar.

Carbon Engineering, fábrica piloto de captura de ar
A pequena fábrica piloto que serve para demonstrar o processo de captura de CO2

A empresa canadiana foi criada em 2009 e tem entre os seus investidores Bill Gates e já tem uma pequena fábrica-piloto de demonstração na Colúmbia Britânica, no Canadá, tentando agora atrair fundos para construir a primeira unidade de demonstração a uma escala comercial.

 

Do ar ao combustível

Como já referimos no eFuel da Bosch, o CO2 capturado da atmosfera seria combinado com hidrogénio — obtido da eletrólise da água, com recurso a energia solar, cujos custos continuam a diminuir  —, formando combustível líquido, como gasolina, gasóleo, ou até Jet-A, usado nos aviões. Estes combustíveis são, como já referimos, neutros em emissões de CO2, e, mais importante, deixariam de usar crude.

ciclo de emissões combustível sintético
Ciclo das emissões CO2 com combustíveis sintéticos

O que traz outras vantagens, já que os combustíveis sintéticos não contém enxofre e têm baixos valores de partículas, permitindo uma combustão mais limpa, não só reduzindo as emissões de gases de estufa, como também a poluição atmosférica.

 

Fonte: Razão Automóvel

GOSTOU? Deixe seu e-mail e receba conteúdos como este!

O que achou? Deixe um comentário

Saiba quais foram nossas medidas e ações para proteger e garantir o bem-estar de nossos colaboradores e parceiros durante a pandemia. Leia as atualizações mais recentes.