Vale a pena abastecer com gasolina aditivada? Prós e contras

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Atualizado: 10/09/2018

gasolina aditivada

Em tempos de combustível cada vez mais caro, além dos riscos de abastecer o veículo com produtos “batizados”, uma dúvida cerca o consumidor: vale a pena investir mais em uma gasolina aditivada? Qual os prós e contras e diferença dela para a comum?

Existe muito mais pontos positivos do que negativos, pois o aditivo da gasolina é o que impede a formação de depósitos de sujeiras, um verdadeiro carvão, os tais depósitos carboníferos no interior do motor. Essa é a vantagem da gasolina aditivada, de manter o motor limpo e com uma combustão sempre correta.

A única desvantagem é no caso de um carro que rodou milhares de quilômetros apenas com a gasolina comum e houve, então, a formação desses depósitos dentro do motor. E, se passar, de repente, a usar aditivada, o detergente contido nesse aditivo poderá fazer soltar alguns fragmentos desses depósitos, que podem vir a danificar algumas das partes internas do motor.

 

Diferença para a gasolina comum

 

A gasolina comum, também chamada de tipo A, é o combustível puro, misturado com 27,5% de etanol e sem aditivos de limpeza, com octanagem mínima de 87. Já a gasolina aditivada, como o nome sugere, contém aditivos que melhoram a limpeza, reduzem os chamados depósitos de queima, comuns em todo o sistema de combustão, e ajudam a melhorar o consumo. A octanagem, neste caso, é a mesma da gasolina comum: 87.

Mas a cada dia o consumidor é bombardeado pela propaganda desses novos combustíveis com “alto poder de limpeza” e que “preservam a saúde do motor” com uma “queima mais eficiente”, algo sempre difícil de mensurar na prática. Assim, apuramos com cada um dos principais distribuidores quais as vantagens dos produtos oferecidos no mercado e seus diferenciais em relação à gasolina comum, lembrando que, de acordo com as normas da Agência Nacional de Petróleo, há uma fórmula básica seguida por todos e a adição de 27,5% de etanol, o que nivela os produtos mas não os aditivos da fórmula, que podem variar entre 1% a 3% do produto. Somente as gasolinas de alta octanagem entre 91 e 97, ou premium, têm menor adição de etanol e aditivos especiais. Assim, vale a pena investir em uma gasolina aditivada pelos aditivos de limpeza, sem esperar, no entanto, aumento de potência ou desempenho. Para facilitar a escolha do consumidor conheça os principais tipos de gasolina aditivada:

 

V-Power (Shell)

Bem conhecida no mercado, a linha V-Power tem tecnologia própria de redução de atrito entre as peças do motor, chamada Dynaflex. Em relação às antigas versões, ela tem 40% mais moléculas de limpeza e um novo redutor de atrito que alivia o trabalho do motor, segundo a Raízen, empresa licenciada que comercializa os combustíveis Shell. “Com o uso contínuo da nova Shell V-Power, o motor mantém por mais tempo as características originais de desempenho, rendimento e baixas emissões”, explica Gilberto Pose, engenheiro de combustíveis da Raízen. Segundo a Shell, testes de laboratórios independentes apontam que os bicos injetores, que dispersam o combustível no interior do motor, ficaram 80% mais limpos e ampliam o tempo de vida útil do motor com a menor formação de depósitos. Ainda segundo os engenheiros da Shell, o aditivo atua com maior eficiência com motores menores, como os de três cilindros e as versões turbo.

A V-Power Racing é a versão de alta octanagem com índice 91 e foi desenvolvida em parceria com a Scuderia Ferrari, e conta com o mesmo aditivo Dynaflex da versão aditivada.

 

DT Clean e Octapro (Ipiranga)

Em seu portfólio, a Ipiranga conta com duas gasolinas especiais, a DT Clean e a Octapro. Como diferencial, a DT Clean, conta uma tecnologia chamada de Friction Modifier. Esse recurso permite a redução de atrito entre as peças do motor, fornecendo proteção e vida longa ao veículo, segundo a empresa. Outro diferencial está em um aditivo que reduz os depósitos, as pequenas partículas sólidas que podem prejudicar o sistema de admissão fazendo o carro falhar.

A Octapro segue a mesma formulação, com maior octanagem para melhorar a queima percebida em motores de alto desempenho e menor teor de etanol, mudança que é quase imperceptível em veículos menos tecnológicos. “Tanto a DT Clean quanto a Octapro são produzidas a partir da tecnologia de aditivos de última geração e ainda contam com o controle de qualidade da Ipiranga, pioneiro no mercado brasileiro. Além disso, ambas possuem tecnologia de última geração em DCA (Deposits Control Additive), o que permite o abastecimento imediato do veículo sem que haja engasgos no motor. Ambas superam os requisitos do TOP Tier Gasoline Program”, diz Márcio Neves, gerente-executivo de planejamento de varejo da Ipiranga.

Segundo a Ipiranga, a Octapro em breve estará disponível na rede de postos da Bahia.

O produto, lançado há um ano, conta com octanagem típica 96 de índice antidetonante (IAD) e RON (research octane number) médio de 102, método de referência de octanagem na Europa. Na prática, o uso da Octapro é indicado de veículos de alto desempenho, pela melhoria nas respostas em aceleração, mas, segundo a fabricante, pode ser usado em veículos de baixo desempenho por conta do maior poder de limpeza.

 

Grid (Petrobras)

A gasolina Petrobras Grid é feita com o uso de vários aditivos combinando ação detergente/dispersante, que tem como função manter a limpeza do sistema de alimentação de combustível do veículo, o que inclui o tanque, bomba de combustível, tubulações, bicos injetores. O tipo de aditivo usado pela Petrobras tem a função de modificar a fricção, o movimento das peças do motor, reduzindo o atrito durante o trabalho das peças, o que se traduz em uma queima mais eficiente.

“A gasolina Petrobras Grid demandou mais um ano em testes, desenvolvimento em laboratório e bancos de provas de motores no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) até chegar a um produto de elevado grau de desempenho, para que fosse disponibilizado para venda em nossa rede de postos. Visamos atender um consumidor mais exigente, que busca produtos de qualidade”, comenta o consultor sênior da Petrobras, Antônio Alexandre Ferreira Correia.

 

ALE Premium

A gasolina Plus é a versão aditivada vendida pela rede de postos ALE, que na Bahia está presente em Camaçari e Feira de Santana. Assim como as demais, contém agentes detergentes e dispersantes para melhorar a queima de combustível pelo motor. Há ainda a versão ALE Premium, de alta octanagem, que segue a mesma regra das demais e também é indicada para motores de alto desempenho, com maior taxa de compressão, caso de veículos luxuosos e superesportivos.

 

 

Mitos e verdades da gasolina aditivada

 

Gasolina Aditivada “economiza” combustível

É um mito. Ela tem agentes dispersantes de sujeira e diminui a formação dos compostos sólidos – os chamados depósitos, mas ela não altera a potência do carro nem economiza combustível.

 

Gasolina aditivada limpa o motor

Mito. Carros que já sofreram queima de combustível adulterado, com excesso de etanol ou com muito solvente não ficarão limpos com gasolina aditivada. Ela tem ação preventiva e não corretiva.

 

Gasolina Premium é melhor sempre

Nem sempre. A gasolina de maior octanagem é indicada para motores que podem aproveitá-la. Ela tem aditivos mas sua principal qualidade é a maior octanagem, que é um índice de resistência do combustível à queima, melhorando a performance. Além disso tem menor índice de etanol (25%) além de envelhecer mais lentamente do que a gasolina comum. Assim, ela é indicada para veículos que ficam muito tempo parado como os clássicos por exemplo.

 

Gasolina Premium tem menos etanol

Fato. Ela tem 2% menos etanol, e é recomendada para veículos importados que não podem queimar a nossa gasolina com tanto etanol adicionado a longo prazo.

 

 

Créditos:

Auto Papo

Ag; A TARDE SP | Guilherme Magna e Marco Antônio Jr.

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